Animação

Por Sávio Leite

Filmes de 12 países compõem três programas dedicados à animação. Um espaço garantido no FESTCURTASBH, que possui um público cativo e ávido por novidades. A diversidade de técnicas, estilos e temáticas marca de forma indelével os 22 curtas selecionados para a mostra de animação.

Reminiscências da infância e de lugarejos remotos, comédia com idosos, experimentações imagéticas analógicas e digitais, epifanias existenciais, mentes brilhantes, amores, experiências-limites de encarceramento, revoluções latino- americanas, metalinguagem, animais com superpoderes e simbioses com humanos, areia e pintura em vidro poeticamente vindo do Iran, homenagem à música, política global, futebol e terrorismo. Dúvidas… Há mais dúvidas do que respostas, o que indica um bom sinal. A animação reflete um mundo de incertezas. Dos pensamentos de um homem condenado à prisão perpétua em forma de documentário no premiado Eye for an eye, dos diretores alemães Steve Bache, Mahyar Goudarzi e Louise Peter, à música libertadora em forma de balé surrealista de Eric Satie, no curta Parade de Satie, do conceituado animador japonês Koji Yamamura. 

A política é tema de dois outros curtas: assistimos a um jantar com grandes líderes mundiais, em I said I would never talk about politcs, do basco Aitor Oñederra, enquanto futebol e terrorismo se misturam na Beirute de 1982, durante a abertura da Copa do Mundo, na animação Un obus partout, de Zaven Najjar.

Há muitos filmes que dialogam com o “devir-animal”, como o experimental Planemo, do croata Veljko Popovic, no qual um acidente com um cervo no meio do caminho muda toda uma realidade. Um cão e um macaco são os protagonistas da animação em stop motion Island, de Riho Unt, um dos mais promissores nomes do cinema de animação da Estônia. Com cerca de dois milhões de habitantes, o país báltico possui tradição no teatro de bonecos e um longo histórico de prêmios em festivais internacionais de animação, além de muitos animadores conhecidos e reverenciados.

A infância é revisitada em dois filmes com abordagem mais adulta: na animação belga De longues vacances, de Caroline Nugues-Bourchat, em que uma menina descobre tesouros preciosos que marcariam sua vida para sempre; e em Islander Rest, de Claudius Gentinetta e Frank Braun, um conto afetuoso e agridoce da inocência perdida e de desejos engarrafados, que traz a lembrança de um pequeno vilarejo e a memória de um avô.

O cinema de animação se libertou do carma de ser um patinho feio dentro do próprio cinema e há muito tempo vem tocando em assuntos pertinentes à sociedade. A Animação é um meio, não um gênero cinematográfico e está sendo tratada dessa forma. A cada ano, com o avanço da tecnologia, invenção de aplicativos e abertura total das fronteiras, a animação alcança territórios inimagináveis, explodindo os limites da criatividade.

O FESTCURTASBH tem o prazer de apresentar o que há de mais significativo na produção internacional de cinema de animação recente. Um painel movido a cores e movimentos complexos e diversos como o próprio mundo.

 

 

ANIM 1 71’

> 6, sábado, 16h – Cine Humberto Mauro

> 7, domingo, 19h – Juvenal Dias

 

ANIM 2 72’

> 7, domingo, 16h – Cine Humberto Mauro

> 8, segunda, 17h30 – Juvenal Dias

 

ANIM 3 76’

> 8, segunda, 16h – Cine Humberto Mauro

> 10, quarta, 16h30 – Juvenal Dias