INFANTIL

POR CLARISSE ALVARENGA

Pequenas-pequeninas, pequenas-médias e pequenas-grandonas: as crianças e o cinema

As crianças ao nascer e os velhos ao morrer não falam – veem coisas”, Jean-Luc Godard

A mostra Infantil do FESTCURTASBH dedica-se a três grupos de crianças: as pequenas-pequeninas (INF 1), as pequenas-médias (INF 2) e as pequenas-grandonas (INF3). Isso não significa qualquer tipo de restrição etária, até mesmo porque os filmes apresentam classificação etária livre. Mas o que interessa é que, em perspectiva, as três seções permitem vislumbrar alterações que vão se passando na maneira como, ao longo do tempo, as crianças imaginam o mundo e se relacionam com ele. Essas transformações, que não assumem caráter de evolução ou desenvolvimento, são tomadas em seu presente e elaboradas pelos filmes do ponto de vista da experiência sensível da criança em cada situação.

Na mostra Infantil 1, imaginamos a chegada de uma criança que não existe. Brincamos de construir um boneco de neve e em seguida uma casa de papelão para um cachorro que não é nosso. Imaginamos um mundo todo feito de pedras novamente, como já foi um dia. Somos arremessados junto a tudo o que voa, tudo o que se movimenta, até nos deparamos com as letras das palavras. Brincamos com outro cachorrinho e uma pedra de gelo, que se desfaz. Percebemos a emoção de uma menina cujo pai chegou de viagem.

A mostra Infantil 2 nos permite acompanhar uma caçada de um rato por uma raposa com a interferência de corujas. Compartilhamos uma bicicleta com dois irmãos. Ficamos conhecendo um homem que perde o avô, figura importante de sua infância, e a partir daí inventa formas de manter-se em contato com suas memórias. Vemos a disputa dos animais em busca de alimento. Uma mosca pousa no ladrilho do banheiro.

E, na mostra Infantil 3, uma menina negocia com sua infância a entrada na adolescência. Duas mulheres vindas de lugares diferentes se encontram e se modificam. Descobrimos que uma menina tímida pode esconder um tesouro: a capacidade de perceber o passado das pessoas. Um robô salva a vida de seu amigo. Um ancião e um menino brincam de fazer sinal de fumaça na beira de uma fogueira. Vemos Oxum salvar a humanidade da seca e da fome, transformando-se de pavão em abutre.

No conjunto, os filmes nos dão acesso a uma infância sempre inacabada, que nunca se encerra e que se encontra em constante devir, de experiência em experiência, de filme em filme. E, assim, indicam o quanto o cinema e nós, grandes-grandões e grandes-grandonas, temos a escutar, a ver e a aprender com elas.

Cine Humberto Mauro
INF1 42’

> 6, sábado, 10h

> 9, terça, 8h30

> 12, sexta, 9h

> 13, sábado, 10h

 

INF 2 56’

> 6, sábado, 11h

> 10, quarta, 9h30

> 11, quinta, 9h

> 13, sábado, 12h

 

INF 3 55’

> 6, sábado, 12h

> 8, segunda, 8h30

> 10, quarta, 8h30

> 13, sábado, 11h