Juventudes

Por Marcelo Miranda

Pelo segundo ano consecutivo, o FESTCURTASBH intitula esta mostra paralela no plural, como Juventudes. As motivações e as atenções aos filmes continuam na mesma toada definida no catálogo de 2015, em texto de Gustavo Jardim: “Selecionar obras para Juventudes é se engajar em um olhar que busca a diferença, não somente em um exercício de alteridade, mas também em uma tentativa de alteração diante de uma forma de ver o mundo e o próprio cinema”. O plural, portanto, visa abarcar as diferenças e a infinidade de olhares permitidos pelo fazer artístico, promovendo a variedade das formas de abordagem de um universo ou atmosfera em comum, aqui caracterizados pela presença dos jovens como catalisadores do impulso cinematográfico que nos levam até estes trabalhos.

Em 2016, são 18 curtas-metragens, das mais variadas matizes e vindos de todo o mundo. Não há predominância, e sim, pluralidade: de ficções cuja força dramatúrgica está nos olhares e nos gestos dos personagens a experimentalismos e ousadias que devem ser fruídos e absorvidos sem pressa. A aproximar os filmes, um engajamento de curadoria: a tentativa de colocar em conflito as expectativas, certezas e apreensões de quem se dispõe a mergulhar nas propostas aqui somadas.

Os jovens desta mostra não seguem “agendas” pré-definidas nem estão interessados em se adequar a cânones ou guetos nos quais uma sociedade controladora tende a inseri-los. O que os move são desejos e latências muitas vezes ainda em desequilíbrio. Nem sempre eles vão pelos melhores caminhos, mas invariavelmente seguem os únicos que eles acham serem os possíveis. A sexualidade como a eterna descoberta de si, as dificuldades sociais e econômicas sendo barreiras para a ascensão pessoal, a interação com o outro, o superestímulo numa época dominada pela tecnologia onipresente e onisciente, a violência existindo como dado incontornável. Nos filmes aqui propostos, para onde se olha, há um estranhamento, uma aposta, uma corda bamba prestes a se romper e pela qual se atravessa, com insegurança e dúvida sobre chegar do lado de lá.

A mostra tem ainda o atrativo de revelar uma certa tendência do cinema de juventude pelo menos deste que aqui tomamos a liberdade de exibir. Alguns dos filmes se eximem de trabalhar a chamada “identificação” ou “projeção” do público, o que lhes permite adentrar com mais voracidade em suas propostas. Em vez de caírem na armadilha de tentar capturar a atenção do jovem, é a atenção do espectador que deve se conjugar com o filme, num amálgama de excitações (estéticas, narrativas, experimentais) que se diferenciam da cartela tradicional de filmes direcionados a uma faixa etária específica. Aqui, não existe idade ideal para nada, pois o que mobiliza uma mostra como esta é justamente atingir a universalidade do sentimento através da individualidade de cada olhar.

Esta é, pois, a graça de uma mostra como a Juventudes: oferecer às sensibilidades alguns mergulhos inesperados, em que a conclusão e o desfecho não existem. A juventude é o rito de passagem, a travessia essencial e inexorável, o choque pela partida de um tempo e a chegada de outro. Ver toda essa complexidade trabalhada diretamente na tessitura destes filmes e perceber o caminho inverso: a potência de cada curta ter como catalisadora a liberdade sem limites que os jovens acreditam possuir é o melhor estímulo para que o espectador compartilhe conosco esta proposta.

JUV 1 79’ – 10 anos | Cine Humberto Mauro

> 8, segunda, 9h30

> 10, quarta, 16h

 

JUV 2 72’ – 14 anos

> 7, domingo, 16h – Juvenal Dias

> 9, terça, 9h30 – Cine Humberto Mauro

 

JUV 3 72’ – 14 anos |Cine Humberto Mauro

> 12, sexta, 10h

>14, domingo, 16h

 

JUV 4 77’ – 16 anos |Cine Humberto Mauro

> 11, quinta, 10h

> 12, sexta, 16h