Oficina ministrada pelo espanhol Luis Macías e pela venezuelana Adriana Vila. De 8 a 10 de agosto, no Arquivo Público Mineiro.

Na criação cinematográfica, todos os processos são controlados pelo cineasta, exceto a revelação do filme, o que impossibilita a experimentação e a interferência nas qualidades estéticas do tratamento da emulsão cinematográfica.

As técnicas artesanais permitem explorar a resposta da luz e seus efeitos sobre os cristais de prata em um exercício de tentativa e erro (que se produz, por sua vez, na alquimia do filme anterior à aparição da imagem), assim como permitem a exploração da relação íntima que o artista mantém com a película.

Essa possibilidade de controle total sobre a obra, entre outras questões, há anos, tem motivado o nascimento de laboratórios independentes, autogeridos por artistas e cineastas, assim como a criação de laboratórios caseiros.

Nesta oficina de revelação artesanal, realizar-se-á uma introdução à revelação Super-8 P&B e explorar-se-á a resposta do filme 16mm, colocando em prática vários processos de revelação do filme: o desenvolvimento no negativo, o reversível/irreversível e os processos alternativos com produtos naturais.

Uma filmagem coletiva em 16mm será desenvolvida para que possamos experimentar com as imagens produzidas. A oficina se dividirá em quatro sessões. A primeira de introdução à teoria, a seguinte dedicada à filmagem. As duas sessões restantes serão práticas em um laboratório artesanal.

Direcionada a um público de artistas, cineastas, estudantes ou a qualquer pessoa interessada na criação audiovisual, na materialidade do filme e nos processos artesanais de criação e experimentação cinematográfica, a oficina será particularmente útil para qualquer um que esteja interessado em rodar nas novas emulsões de P&B disponíveis em 8mm / Super-8 e 16mm.

Os interessados deverão enviar uma carta de intenção, com os dados pessoais (nome, idade e telefone) e um mini currículo para: cursos.cinehumbertomauro@gmail.com, colocando o nome da oficina de interesse no assunto do e-mail.

* As vagas já foram preenchidas

Ministrante: Luis Macías e Adriana Vila
Data: de segunda a quarta-feira | de 8 a 10/08
Horário: De 13h às 17h
Local: Arquivo Público Mineiro (Av. João Pinheiro 372, Funcionários )
Carga horária: 12h
Participantes: 15


Programa:

Dia 1: Introdução à revelação

  • Materiais necessários.

  • As diferentes emulsões e películas.

  • Processos pelos quais passa a emulsão: da filmagem à projeção.

  • Os químicos vs. produtos alternativos.

  • Preparação da química.

Exercício de filmagem

  • Conhecendo a câmera: introdução.
  • Carregando o chassi da câmera.

  • Exercício de filmagem coletivo.

Dia 2: Revelação Básica

  • Revelação de negativos P&B (carretel 1).

  • Revelação reversível P&B (carretel 2).

  • Projeção dos resultados (1 e 2).

Dia 3: Revelações experimentais.

  • Solarização e outros efeitos criativos de experimentação na revelação (carretel 3).

  • Revelação café, ervas, vinho… (carretel 4).

  • Projeção de resultados (3 e 4).

Luis Macías

Luis Macias é um artista, cineasta, reciclador de imagens e professor de cinema. É membro do duo Crater e cofundador do CRATER-Lab, um laboratório de cinema analógico independente, gerido por artistas. Suas propostas em formato fílmico e/ou em vídeo são concebidas tanto para projeção em sala escura como para filme performance ou instalações. Paralelamente, Macias desenvolve oficinas, que misturam teoria e prática, especializadas em distintas variações do cinema experimental – apropriação, cinema sem câmera, Super-8 e 16mm e/ou revelações experimentais – tanto em escolas de cinema como em centros de arte e museus. Suas obras têm sido exibidas em festivais, museus e centros de arte da Espanha e de outros países europeus, além de Ásia, América Latina e Estados Unidos.


Adriana Vila 

Cineasta, artista e antropóloga venezuelana. Seu trabalho transita entre os reinos da criação documental, dos diários etnográficos e da experimentação cinematográfica, particularmente em Super-8 e 16mm. Interessada na materialidade e na imaterialidade do filme em diversas formas (exibição, performance e instalação) como meios para a exploração da confusão e da autoconsciência. Fascinada por seus mistérios e ilusão, úteis para abordar o invisível, como rituais pessoais e coletivos. Adriana é cofundadora do laboratório de filme analógico independente Crater-Lab, onde cria seu trabalho no cinema, realiza a curadoria de programas de filmes experimentais e tem desenvolvido diversos workshops sobre cinema expandido, técnicas alternativas de revelação e cinema artesanal sem câmera para crianças.

Atualmente, está finalizando seu doutorado em Antropologia Social e Cultural na Universidad de Barcelona com a tese “The Making of a Film Portrait: creation, authorship and imaginary in documentary filmmaking”, um estudo etnográfico sobre os processos implícitos na construção narrativa e visual de seu documentário de longa-metragem “BELEN”.